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[quarta-feira, 14 de maio de 2008] A vingança do Berimbau I Superado pelo tempo, Ensinando muito mal, Fabricando mil diplomas Para entupir hospital, O doutor da faculdade Botou, com toda maldade, A culpa no berimbau. II Disse o doutor Natalino Que o baiano é um mocó, Sem coragem e inteligência, Preguiçoso de dar dó, Só liga pra carnaval E só toca berimbau Porque tem uma corda só. III O sujeito ignorante Não conhece o berimbau, Que atravessou o mundo Com toda a força ancestral. Na fronteira da emoção, Traz da África a percussão Da diáspora cultural. IV Nem Baden Powel resistiu À percussão milenar, Uma corda a encantar seis Na tristeza camará De Salvador da Bahia. Quem toca e canta poesia Na dança sabe lutar. V O doutor, se estudou, Na certa não aprendeu nada: Diz que o som do Olodum Não passa de uma zoada E a cultura baiana É uma penca de bananas, Primitiva e atrasada. VI Jimmy Cliffi, Michael Jackson, Paul Simon e o escambau Se renderam ao Olodum Com seu toque genial, Que nasceu no Pelourinho E hoje abre caminho No cenário mundial. VII O baiano é primitivo? Veja só o resultado: Ruy foi o Águia de Haia; Castro Alves, verso-alado De poeta condoreiro, E gente do mundo inteiro Se curvou a Jorge Amado. VIII Bethânea, Caetano e Gil, Armandinho, Dodô e Osmar, Gal Costa, Morais Moreira, Batatinha a encantar João Gilberto, Bossa Nova Novos Baianos são prova Da grandeza do lugar. IX Glauber, no Cinema Novo; Gregório, velha poesia; Gordurinha, no rojão; Milton, na Geografia; Anísio, na Educação; Dias Gomes, na encenação; João Ubaldo e Adonias. X Menestrel da cantoria Temos o mestre Elomar, Xangai, Wilson Aragão, Bule-Bule a improvisar, Roberto Mendes viola A chula – semba de Angola, Nosso samba de além-mar. XI Se eu fosse citar todos Que merecem citação, Faria um livro de nomes Tão grande é a relação. Desculpe, Afrânio Peixoto, Esse doutor é um roto Procurando promoção! XII Com vergonha do que fez: Insultar toda a Nação, O tal doutor Natalino Pediu exoneração E não encontra ninguém, Nem um nazista do além, Para tomar a lição. XIII O baiano é pirracento, Mas paga com bem o mal: Dá uma chance a Natalino Lá no Mercado Central De ganhar alguns trocados Segurando o pau dobrado Da corda do berimbau. Miguezim de Princesa **___________________________** |